Trabalhar com artesanato é se embrenhar nas tramas, nas cores, nas formas e na poesia na qual cada peça se transforma. Não a poesia convencional mas algo além, um não sei que de arte que nos envolve e nos transforma e começa a fazer parte do nosso dia-a-dia.
Foi assim que dona Nana deu forma e vida ao Mirerê Artesanato, nascendo de suas mãos criativas e ávidas por transformar trabalho em beleza, idéias em maravilhosas peças de filé que hoje se espalham pelo mundo depois de décadas de um bem sucedido encontro entre a arte e a determinação.
No início, uma casa simples, uma rendeira na porta atendendo com simpatia os turistas deslumbrados com suas peças inéditas. Como arte é contagiante sua filha Sandra desde pequena foi tocada pelo interesse e um amor imenso que a fizeram abraçar o artesanato entrelaçando-o com sua própria vida, e assim entre um licorzinho aqui, uma água de coco gelada ali e as estórias imperdíveis de dona Nana, o Mirerê cresceu, acompanhou a modernidade e para conforto dos turistas e orgulho de dona Nana, hoje é a loja mais atraente do Pontal da Barra e suas peças traduzem a poesia de vários “poetas”(artesãos), é a renda do filé autêntica, o redendê de entremontes(Piranhas), o labirinto de Marechal Deodoro, o Boa-noite da Ilha do Ferro(Pão de Açúcar).
As linhas e entrelinhas de uma história de amor, a arte de uma poesia sem palavras, é só olhar, sentir cada ponto, cada conversa ao pé-de-ouvido, e o resultado ali transformado em toalhas, colchas, caminhos de mesa, caminhos de vida, vida entre linhas, agulhas, vida que se confunde com renda, entremeio, ponto cruz, olho de peixe...